segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ode ao burguês


O texto a seguir em muito me inspirou para o que virá a seguir.


Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques
zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
–Um colar... –Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"

Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!

Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burgês!...


De
Paulicéia desvairada (1922) Mário de Andrade

terça-feira, 12 de junho de 2012

Simples mas profundo

Aquilo que é fundamental nem sempre agrada aos ouvidos humanos, incapazes de se sastifazer com respostas simples e diretas sobre temas aparentemente complicados.

Contudo, não devemos confundir simples com simplista.

Muitas vezes, teremos que fazer exercícios muito profundos em conteúdo para podermos tratar de temas complicados de maneira simples.

Grande desafio esse!!

Me fizeram uma pergunta simples sobre um tema profundo e, eu tentei responder.

Veja aew, são cinco minutos.

Se desejar, apreciarei os seus comentários.


Paz e Bem


Zé Libério

Conceitos e Pré-Conceitos

Vivemos um tempo interessante. Nunca se falou tanto em democracia e direitos alheios , etc. E, ao mesmo tempo, me parece que as pessoas se tornam cada dia mais intolerantes com opiniões divergentes das suas.
Podemos falar e nos expressar sobre tudo o que quisermos, desde que, não emitamos nossa opinião sincera a respeito do assunto porque imediatamente alguém dirá que somos preconceituosos.

É bem engraçado como as pessoas confundem conceitos com pré-conceitos. Parece-me não ser mais permitido, hoje em dia, emitir conceitos. Correremos o risco de sermos tachados de fundamentalistas, radicais ou coisas semelhantes.

Participei de um programa de TV e emiti meus conceitos a respeito de um assunto bem interessante, Tatuagens. E foi o que aconteceu na sequência. Descobri, pelas observações dos telespectadores, que sou pré-conceituoso.

Não atendi às suas tele-expectativas.

Se você quiser e puder veja o tal programa aqui. E eu adoraria saber seu comentário, se você achar que deve, é claro.

Paz  e  Bem

Zé Libério

domingo, 25 de setembro de 2011

Misturar tudo, será que é uma boa?


É, parece que não temos opção não!
E o pior, às vezes, misturam pra nós!

Nesse frenesi que, aparentemente, não tem solução nos encontramos nós. Umas vezes nos encontramos, outras nos perdemos, outras nem queremos achar. Logo de manhã, bom dia!

Muita coisa tá rolando, imagino o Rui Barbosa lendo isso, tudo ao mesmo tempo e em todo lugar. São convites, apelos, ordens, desejos, vontades, ações, rotinas, obrigações, reponsabilidades, compromissos. E tem mais, só não vou citar, nós sabemos!!

E tudo vai se misturando perdendo o seus sabores e tons naturais. Ouvimos os conselhos que não deveríamos e desconsideramos os realmente importantes. Ah como somos bons nisso!! Depois, saimos chorando à procura de ajuda para consertar o que não deu certo e, nunca dará se não mudarmos o rumo, decidirmos amadurecer e deixamarmos a obstinação para trás. E essa tarefa é dura! Envolvidos em aspectos que, nem sempre consideramos mas que estão por aí vamos vivendo. Cansados, às vezes, e nem sabemos porque.

Meu caro, minha cara! Não se iluda! Essa maneira de organizarmos as coisas em nossas vidas e sociedade não precisa ser assim. Há coisas muitos boas que podemos e devemos manter mas, há coisas horríveis que podemos e devemos nos desfazer.

Considere hoje comigo o seguinte, essa é a minha proposta:

Viva a sua cidade, seu bairro, sua vila, seu país. Isso é política que, quando traduzida em ações corretas em benefício de nosso povo chama-se cidadania. Não abandone o diálogo. Seja cidadão!

Decifre o seu modo e o dos outros de pensar, sentir e agir. Herdamos isso e nem nos damos conta. Estamos inseridos em um contexto cultural específico e que, se sub-divide em inúmeros outros. Isso é cultura. Pratique a tolerância!

Pense, planeje o seu futuro e leve em conta o mundo que o cerca, sua rede de relacionamentos, pois é lá que você vai passar o restante da sua vida. Cuidado com isso!

Tenha um manual de instruções confiável que é à prova de erro e que pode instruir-te em tudo que de melhor você poderá ser, fazer e ter. Saiba da Boa-notícia, chamada de Evangelho de Jesus o Cristo. Leia isso!

Pratique uma boa vivência comunitária, junte-se aos outros que também estão em processo na jornada. Ria com eles, chore também. Faça parte de uma Igreja!

Zé Libério
Organização Toca do Estudante

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A vida urbana - desafios e facilidades



A urbe, cidade, nos traz o melhor e o pior da natureza humana. Talvez, parafraseando Dickens, é o melhor dos lugares; é o pior dos lugares. Sem dúvidas esse conjunto de pessoas que vive em aglomerações chamadas cidades causa boas e más influências em todos os que nela habitam, não importando se cristãos são, ou não.

A vida se mistura em todas as suas esferas e, sinceramente, não espero aqui conseguir, sequer tentar, separar de alguma maneira “compartimental” a vida em, cristã e não cristã. Creio que seria um exercício desnecessário e improdutivo. Um dos desafios que enfrentamos enquanto seguidores de Jesus, o Cristo, é referente aos relacionamentos superficiais.

Uma das dificuldades que se nos apresentam é que nossa crença e conjunto de valores consiste em uma vivência comunitária, ao mesmo tempo em que a cidade nos empurra para uma experiência cada vez mais individual. É próprio da cidade uma pessoa habitar em meio a uma multidão e ao mesmo tempo ser uma pessoa solitária, sem relacionamentos.

Na cidade nos escondemos dos outros e de nós mesmos, na cidade nos encontramos com outros e, às vezes conosco. Na cidade não precisamos ter uma história de nossa tradição familiar, na cidade podemos construir belas histórias com aqueles que são acrescentados à nossa jornada. Na cidade não há espaço para todos nos melhores lugares, na cidade encontramos lugares aconchegantes na mais extrema periferia. Na cidade criamos os marginais, gente diferenciada que só percebe a parte boa pela vitrine de lojas bonitas ou pelas propagandas de TV, na cidade aprendemos que o que importa ao final do dia é a companhia de pessoas fiéis que nos valorizam pelo o que somos e não pelo o que temos.

Enfim, fomos criados para nos espalhar pelo mundo, dominá-lo, mas decidimos nos ajuntar e criarmos sistemas de dominação, não da natureza, mas sim, de um homem sobre outro homem.
Ao invés de nos tornarmos jardineiros nos tornamos pedreiros, ao invés de plantarmos jardins, construímos muros e paredes.

As cidades estão aí, muita gente para alcançar, as cidades estão aí, muita gente que eu não quero conhecer. Muita gente ansiando por uma amizade aberta e sincera que agregue valor às suas existências pobres, muita gente fechada e desconfiada das intenções de tantos estranhos que as rodeiam.

Creio ser assim desafios e facilidades, depende de como nós os encaramos.

Paz e Bem,
Zé Libério

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Procura-se contadores de histórias



De todas as histórias que iremos contar, ou ouvir, há ainda belas histórias a ser escritas. Histórias de jovens que hão de descobrir a mais bela de todas elas, a história do caso de amor entre um ser onipotente que de nada necessita e, que se chama a si mesmo de “Aquele que é o que é” e, a sua obra prima, o ser humano, que não sabe bem ao certo como chamar-se a si mesmo, mas que necessita de sentido, logo, de tudo necessita.

O grande desafio a esta altura dos acontecimentos reside em contar, contar e recontar essa bela história, chamada história da salvação à nova geração.
A geração jovem atual sabe muita coisa a respeito de todas as coisas. Sabe tudo sobre as novas tecnologias, os últimos avanços das ciências, o último sucesso musical, a última moda. Porém, sabe pouco de si mesma, seu chamado, sua causa, seu propósito. Claro, há exceções!! Mas, são raras. A satisfação que tanto tem procurado através de baladas, festas, viagens, sessões de cinema e passeios nas praças de alimentação se torna novamente tão distante quanto o era antes de cada evento. A satisfação alcançada pelos estudos acadêmicos em mais alto nível logo se torna em dilemas, os mais diversos, sobre a real natureza das motivações que os levaram a cursar tal carreira, chegando alguns, a abandonar tudo.

Diante disso podemos ver as grandes possibilidades que nos apresentam, a oportunidade de contar histórias que inspiram, desafiam, consolam. Histórias como as de José do Egito e Daniel da Babilônia, estadistas bem sucedidos do oriente antigo. Histórias de Débora e Rute mulheres que nunca se sentiram desprezadas por serem simplesmente mulheres, e tantas outras mais.

Nossos jovens tem tido a chance de ter a fonte de todas essas histórias em suas mãos, as podem ler em qualquer momento, em qualquer lugar. Há versões delas para MP3, celulares, em diversos sites da internet, versões Teens, com comentários e sem comentários. Contudo, necessitamos de contadores dessas histórias. Gente que traduza essas histórias para o chão da vida dos jovens, pessoas que tenham as suas próprias histórias que possam inspirar, consolar, desafiar a meninada.

Jovens, moços e moças, de todo o nosso país esperam ouvir, conhecer e ser encantados com a história do desfecho e da atitude definitiva do “Grande Eu Sou” na pessoa de seu filho encarnado, Jesus Cristo. Eles tem sido encantados e tem se deixado encantar por histórias e melodias que os levarão à destruição e ao encarceramento perpétuo, como no caso daquele conto antigo alemão onde, depois de não receber pelo serviço contratado, um flautista com sua roupa colorida, “THE PIED PIPER”, soou sua melodia hipnotizando todas as crianças da Vila de Hamilin levando-as a seguirem-no e as trancando em uma caverna para sempre. Lá não há mais som de crianças pelas ruas desde então. Não queremos isso para os nossos jovens!!

Agradeço pela possibilidade de muitos que conheço serem esses que nos ajudam a contar a melhor de todas as histórias a todos, jovens, velhos e crianças encantando-os com a história de amor da redenção do Criador traduzida no episódio final através da morte e ressurreição de seu filho Jesus o Cristo.

Paz e Bem!!

Zé Libério

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma conversa 30 anos atrasada

Olá amigos!!
Gostaria de oferecer algumas ponderações sobre o vídeo do Pastor Pascoal Piragine.

Esse pronunciamento é interessante, pena estar, no mínimo, 30 anos atrasado. Algumas razões:

1- Na luta contra o aborto, tenho participado dela desde 1982 e nunca vi, sequer ouvi ou li algum livro, pronunciamento de crente algum sobre o tema, exceto um de Cáio Fábio. Estive no Fórum Social Mundial em 2003 em Porto Alegre e participei justamente de um grupo de discussão sobre o tema e, acreditem se quiser, havia eu e mais um cristão evangélico na sala no meio de mais de 30 pessoas. Onde estava o Pascoal ou alguém de grupo que ele diz pertencer?

2 - No mesmo fórum, em outro momento, havia uma discussão sobre igreja e política. Estavam lá pastores cubanos, padres brasileiros e perguntaram se não havia nenhum pastor ou líder evangélico para compor a mesa e conversar sobre o tema, havia mais de 100 pessoas, só eu de "crente" estava lá. Me identifiquei e fui parar na mesa.

3 - Dizer que os homosexuais começaram a fazer o que fazem semana passada é o fim-da-picada, eles tem se articulado há muito tempo e agora tomaram força. Onde estávamos nós que lutamos pela santidade? Discutindo se poderíamos ter ou não bateria na igreja. Fala sério!!

4 - Ainda no sul, fui visitar um grupo de pastores em reunião por lá, e começaram a me chamar pejorativamente de Ativista Político. Agora, porque o presidente da convenção disso ou daquilo, aparece falando que devemos mudar de postura? Todo mundo acha lindo e corajoso? Que coisa!!

5 - Antes que alguém fale, conheço o Pascoal, fiz um curso com ele. Estudei com o irmão dele. Ele é sério e comprometido!! Mas, vir me dizer que eu tenho que prestar muita atenção em quem vou votar pra não votar na iniqüidade. Amigos, voto desde 1986 e, realmente queria saber se o que ele disse, quis dizer que não prestei atenção antes. É ruim, hein? Nunca tercerizei a minha cidadania, talvez alguns o tenham feito.

6 - Será que entendi errado? Estamos em um nível de iniqüidade aceitável e, se esse ou aquele grupo vencer, o nível será elevado a um ponto intolerável? Por enquanto Deus aceita, acima disso a gente vai se lascar? Como é que ele mede isso?

7 - Como disse é uma conversa boa mas, está, em minha opinião, 30 anos atrasada. Não lutamos contra carne e sangue ou contra esse ou aquele partido político, mas sim, contra principados e potestades nas regiões celestes,que juntamente com nossa natureza pecaminosa torna a vida nesse mundo muito complicada e essa briga, já vem desde os tempos imemoriais, não se dará agora nas próximas eleições.

Escrevi demais. Tenho mais o que dizer mas, calarei por hora.

Libério
pastor de uma Comunidade com 20 pessoas.
presidente de nada
pai de família