quinta-feira, 19 de maio de 2011

A vida urbana - desafios e facilidades



A urbe, cidade, nos traz o melhor e o pior da natureza humana. Talvez, parafraseando Dickens, é o melhor dos lugares; é o pior dos lugares. Sem dúvidas esse conjunto de pessoas que vive em aglomerações chamadas cidades causa boas e más influências em todos os que nela habitam, não importando se cristãos são, ou não.

A vida se mistura em todas as suas esferas e, sinceramente, não espero aqui conseguir, sequer tentar, separar de alguma maneira “compartimental” a vida em, cristã e não cristã. Creio que seria um exercício desnecessário e improdutivo. Um dos desafios que enfrentamos enquanto seguidores de Jesus, o Cristo, é referente aos relacionamentos superficiais.

Uma das dificuldades que se nos apresentam é que nossa crença e conjunto de valores consiste em uma vivência comunitária, ao mesmo tempo em que a cidade nos empurra para uma experiência cada vez mais individual. É próprio da cidade uma pessoa habitar em meio a uma multidão e ao mesmo tempo ser uma pessoa solitária, sem relacionamentos.

Na cidade nos escondemos dos outros e de nós mesmos, na cidade nos encontramos com outros e, às vezes conosco. Na cidade não precisamos ter uma história de nossa tradição familiar, na cidade podemos construir belas histórias com aqueles que são acrescentados à nossa jornada. Na cidade não há espaço para todos nos melhores lugares, na cidade encontramos lugares aconchegantes na mais extrema periferia. Na cidade criamos os marginais, gente diferenciada que só percebe a parte boa pela vitrine de lojas bonitas ou pelas propagandas de TV, na cidade aprendemos que o que importa ao final do dia é a companhia de pessoas fiéis que nos valorizam pelo o que somos e não pelo o que temos.

Enfim, fomos criados para nos espalhar pelo mundo, dominá-lo, mas decidimos nos ajuntar e criarmos sistemas de dominação, não da natureza, mas sim, de um homem sobre outro homem.
Ao invés de nos tornarmos jardineiros nos tornamos pedreiros, ao invés de plantarmos jardins, construímos muros e paredes.

As cidades estão aí, muita gente para alcançar, as cidades estão aí, muita gente que eu não quero conhecer. Muita gente ansiando por uma amizade aberta e sincera que agregue valor às suas existências pobres, muita gente fechada e desconfiada das intenções de tantos estranhos que as rodeiam.

Creio ser assim desafios e facilidades, depende de como nós os encaramos.

Paz e Bem,
Zé Libério

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Procura-se contadores de histórias



De todas as histórias que iremos contar, ou ouvir, há ainda belas histórias a ser escritas. Histórias de jovens que hão de descobrir a mais bela de todas elas, a história do caso de amor entre um ser onipotente que de nada necessita e, que se chama a si mesmo de “Aquele que é o que é” e, a sua obra prima, o ser humano, que não sabe bem ao certo como chamar-se a si mesmo, mas que necessita de sentido, logo, de tudo necessita.

O grande desafio a esta altura dos acontecimentos reside em contar, contar e recontar essa bela história, chamada história da salvação à nova geração.
A geração jovem atual sabe muita coisa a respeito de todas as coisas. Sabe tudo sobre as novas tecnologias, os últimos avanços das ciências, o último sucesso musical, a última moda. Porém, sabe pouco de si mesma, seu chamado, sua causa, seu propósito. Claro, há exceções!! Mas, são raras. A satisfação que tanto tem procurado através de baladas, festas, viagens, sessões de cinema e passeios nas praças de alimentação se torna novamente tão distante quanto o era antes de cada evento. A satisfação alcançada pelos estudos acadêmicos em mais alto nível logo se torna em dilemas, os mais diversos, sobre a real natureza das motivações que os levaram a cursar tal carreira, chegando alguns, a abandonar tudo.

Diante disso podemos ver as grandes possibilidades que nos apresentam, a oportunidade de contar histórias que inspiram, desafiam, consolam. Histórias como as de José do Egito e Daniel da Babilônia, estadistas bem sucedidos do oriente antigo. Histórias de Débora e Rute mulheres que nunca se sentiram desprezadas por serem simplesmente mulheres, e tantas outras mais.

Nossos jovens tem tido a chance de ter a fonte de todas essas histórias em suas mãos, as podem ler em qualquer momento, em qualquer lugar. Há versões delas para MP3, celulares, em diversos sites da internet, versões Teens, com comentários e sem comentários. Contudo, necessitamos de contadores dessas histórias. Gente que traduza essas histórias para o chão da vida dos jovens, pessoas que tenham as suas próprias histórias que possam inspirar, consolar, desafiar a meninada.

Jovens, moços e moças, de todo o nosso país esperam ouvir, conhecer e ser encantados com a história do desfecho e da atitude definitiva do “Grande Eu Sou” na pessoa de seu filho encarnado, Jesus Cristo. Eles tem sido encantados e tem se deixado encantar por histórias e melodias que os levarão à destruição e ao encarceramento perpétuo, como no caso daquele conto antigo alemão onde, depois de não receber pelo serviço contratado, um flautista com sua roupa colorida, “THE PIED PIPER”, soou sua melodia hipnotizando todas as crianças da Vila de Hamilin levando-as a seguirem-no e as trancando em uma caverna para sempre. Lá não há mais som de crianças pelas ruas desde então. Não queremos isso para os nossos jovens!!

Agradeço pela possibilidade de muitos que conheço serem esses que nos ajudam a contar a melhor de todas as histórias a todos, jovens, velhos e crianças encantando-os com a história de amor da redenção do Criador traduzida no episódio final através da morte e ressurreição de seu filho Jesus o Cristo.

Paz e Bem!!

Zé Libério

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma conversa 30 anos atrasada

Olá amigos!!
Gostaria de oferecer algumas ponderações sobre o vídeo do Pastor Pascoal Piragine.

Esse pronunciamento é interessante, pena estar, no mínimo, 30 anos atrasado. Algumas razões:

1- Na luta contra o aborto, tenho participado dela desde 1982 e nunca vi, sequer ouvi ou li algum livro, pronunciamento de crente algum sobre o tema, exceto um de Cáio Fábio. Estive no Fórum Social Mundial em 2003 em Porto Alegre e participei justamente de um grupo de discussão sobre o tema e, acreditem se quiser, havia eu e mais um cristão evangélico na sala no meio de mais de 30 pessoas. Onde estava o Pascoal ou alguém de grupo que ele diz pertencer?

2 - No mesmo fórum, em outro momento, havia uma discussão sobre igreja e política. Estavam lá pastores cubanos, padres brasileiros e perguntaram se não havia nenhum pastor ou líder evangélico para compor a mesa e conversar sobre o tema, havia mais de 100 pessoas, só eu de "crente" estava lá. Me identifiquei e fui parar na mesa.

3 - Dizer que os homosexuais começaram a fazer o que fazem semana passada é o fim-da-picada, eles tem se articulado há muito tempo e agora tomaram força. Onde estávamos nós que lutamos pela santidade? Discutindo se poderíamos ter ou não bateria na igreja. Fala sério!!

4 - Ainda no sul, fui visitar um grupo de pastores em reunião por lá, e começaram a me chamar pejorativamente de Ativista Político. Agora, porque o presidente da convenção disso ou daquilo, aparece falando que devemos mudar de postura? Todo mundo acha lindo e corajoso? Que coisa!!

5 - Antes que alguém fale, conheço o Pascoal, fiz um curso com ele. Estudei com o irmão dele. Ele é sério e comprometido!! Mas, vir me dizer que eu tenho que prestar muita atenção em quem vou votar pra não votar na iniqüidade. Amigos, voto desde 1986 e, realmente queria saber se o que ele disse, quis dizer que não prestei atenção antes. É ruim, hein? Nunca tercerizei a minha cidadania, talvez alguns o tenham feito.

6 - Será que entendi errado? Estamos em um nível de iniqüidade aceitável e, se esse ou aquele grupo vencer, o nível será elevado a um ponto intolerável? Por enquanto Deus aceita, acima disso a gente vai se lascar? Como é que ele mede isso?

7 - Como disse é uma conversa boa mas, está, em minha opinião, 30 anos atrasada. Não lutamos contra carne e sangue ou contra esse ou aquele partido político, mas sim, contra principados e potestades nas regiões celestes,que juntamente com nossa natureza pecaminosa torna a vida nesse mundo muito complicada e essa briga, já vem desde os tempos imemoriais, não se dará agora nas próximas eleições.

Escrevi demais. Tenho mais o que dizer mas, calarei por hora.

Libério
pastor de uma Comunidade com 20 pessoas.
presidente de nada
pai de família

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Des-conexão

Des - conexão

Assim a gente pode classificar os tempos de hoje!!

A quem você é fiel? Qual o seu grupo? Qual a sua laia? Qual é a sua praia? Você tem uma causa? O que você pensa do futuro?

Perguntas demais, não é? Hehehe.
Entretanto precisam ser respondidas, com a pena de travarmos em nossa caminhada e ficarmos para trás.

É muito barulho, mas precisa ser feito. Causa-nos dores às vezes, mas precisamos senti-las ou não cresceremos como pessoas, não atingiremos o nosso potencial, não nos realizaremos.

Morreremos.

Vivos, seremos como mortos por não aplicar à nossa existência algo que nos leve a um nível superior, mortos de sentido, mortos de propósito. Desconexos!!
Não precisamos viver dessa maneira. Há alternativas!

Aprendi em aulas de Educação Moral e cívica, e você já está pensando qual será minha idade, que “o homem não é uma ilha”, precisa de conexões. Conexões consigo mesmo, senão se tornará um esquizofrênico, conexões com a comunidade ou se tornará um eremita, conexões com o Criador ou se tornará desumano.
Todos os seres humanos precisam estar conectados, ligados, juntos ou morreremos.
Precisamos ajudar outras pessoas a se conectar e isso tem que ser em “banda larga”, alta velocidade, sem a interferência daqueles que querem nos ver isolados.

Nossa proposta para você é: que permita-se conectar.
Conecte-se a novos amigos, conecte-se a algum projeto, conecte-se a você mesmo, conecte-se à melhor conexão que alguém poderia fazer, isto é conecte-se ao Criador e permita que Ele te use como conexão para outros.
Ora, tudo provém de Deus, que nos re-conectou (reconciliou) consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o trabalho (ministério) da re-conexão (reconciliação), ou seja, que Deus estava em Cristo re-conectando (reconciliando) consigo o mundo, não levando em conta as maldades dos homens e seus pecados, e nos confiou a palavra da re-conexão (reconciliação). De maneira que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus falasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, pedimos que vocês se re-conectem (reconciliem) com Deus.” Iª Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 5, frases de 18 -20.

Somos agentes da re-conexão ao viver integramente, desenvolver nossa liderança, entender melhor a cultura brasileira, ampliar a nossa presença no campus e onde pudermos ir, trabalhar em rede, entender e diversidade e defender a unidade, nos responsabilizarmos pela sociedade, olhar além do campus e de nossos limites territoriais, recrutar novos agentes, pensar além do Brasil, demonstrar que fé e razão não são antagônicas, atender os necessitados e saber que nossa missão é integral.

Então responderemos satisfatoriamente às perguntas feitas no início, isto é, seremos fiéis àquele que nos re-conectou, formaremos o grupo dos re-conectados, nossa laia será a daqueles que trabalham pela re-conexão de outros, nossa praia será re-conectar outros, nossa causa será a re-conexão de todos e no futuro, estaremos eternamente com todos aqueles que pelo mundo aceitaram ser conectados, vivendo na presença visível daquele que nos re-conectou, Jesus.

Eis nosso desafio hoje e sempre!!

Agentes em campus e no mundo. Eu, um agente?
Não!! Nós somos os agentes!!

Que o Dono da re-conexão(reconciliação), que nunca “cai”, nos ensine sobre o que é necessário para seguirmos em frente como Ele quer.



Libério

domingo, 4 de maio de 2008

Mochilar


Mochilar

Eu mochilo
Tu mochilas
Ele(a) mochila

Nós mochilamos

Vós mochilais

Eles(as) mochilam
Todos nós nos tornamos mochileiros e até poderemos, eventualmente, fazer um “mochilão”.
Parece que a nossa jornada está apenas começando. A responsabilidade por nossa mochila, já há algum tempo, era nossa. Agora, será toda nossa!! Livros, cadernos, apostilas, trabalhos, água, celular, MP3 e por aí vai.. Se a gente esquecer no “busão” complica; algumas vezes será pesada demais, outras, quase sem nada, bem leve. Mas até terminarmos essa etapa da vida seremos mochileiros.

Contudo, falei sobre a mochila física de lona, de plástico, de vinil, sei lá. Verde, azul, rosa, preta! Do seu gosto sempre, é claro! Agora você pode escolher! E a mochila que ninguém vê, só você? Onde você traz alegria, entusiasmo, sonho, esperança, dor, tristeza, angústia, dúvida. Como encontrar uma maneira de deixá-la sempre equilibrada com o peso certo, se infelizmente não podemos decidir o que colocar lá dentro e as circunstâncias ditam o conteúdo muitas vezes?

Penso que podemos e devemos tentar controlar o conteúdo de nossa mochila escondida, ainda que isso pareça impossível para alguns. Sei que não é tarefa fácil pois não controlamos todas as circunstâncias. Aprendi que mesmo que aparentemente tenhamos o controle do conteúdo, no final parecerá que falta ou sobra algo.

Nosso problema é que a jornada precisa continuar, precisamos avançar e não importa muito aos outros o que temos em nossa mochila oculta, só querem nos ver andando, avançando, produzindo........

Sou mochileiro como você, mas estou na jornada há um pouco mais de tempo talvez. Decidir o que levar na mochila de lona é bem fácil e se começar a atrapalhar podemos nos desfazer dela durante o percurso. Aprendi que é uma luta quase insana, tentar colocar os conteúdos exatamente como queremos em nossa mochila oculta. Uma decisão equivocada aqui e ela se tornará pesada demais, uma escolha infeliz ali e ela pode se tornar algo vergonhoso de se carregar até para nós mesmos.

Como é que eu resolvi isso? Aí está o “pulo-do-gato” não resolvi. Aprendi que não somos obra do acaso. Fomos planejados, fomos feitos direitinho e sem defeitos pra não termos que nos preocupar com a nossa mochila oculta. Mas não acreditamos, achamos que é uma “estoriazinha” pra crianças e afinal somos jovens, adultos, sabemos decidir o que pôr em nossas próprias mochilas. Que ilusão!!

Resolvi meu problema recorrendo ao manual do fabricante de mim e descobri alguns princípios: a) Confiar: “Confie em Deus, o Senhor, e faça o bem e assim more com toda segurança na Terra Prometida” b) Ter prazer: “Que a sua felicidade esteja no Senhor! Ele lhe dará o que o seu coração deseja.” c) Entregar: “Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará”. (Livros dos Salmos, capítulo 37, frases 3, 4 e 5. Bíblia)

Que tal praticar como eu e experimentar carregar uma mochila de conteúdo bem mais legal que nos trará mais prazer na jornada? Deixe o conteúdo da mochila oculta por conta do seu fabricante. Vale a pena!! Você vai ver!

José Libério, um mochileiro como você!!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Como Xadrez



Nesse tempo de aparente insensatez, às vezes, nos vemos como que em um jogo onde as regras já estão postas e só nos resta obedecê-las sem mais discussões ou questionamentos, se assim não o fizermos, talvez, todos os processos estarão comprometidos. A regularidade cederá lugar ao inesperado e o projeto cederá lugar ao improviso o que tornará a vida bem mais complicada do que ela é. Cedemos então lugar ao projeto e à regularidade caindo nas garras cruéis da monotonia.

Creio que a nossa vida se assemelhe a uma partida de xadrez, um jogo que não combina com o nosso tempo, é muito monótono, muito parado. E aqui se lança um paradoxo: “como a vida pode ser monótona no turbilhão veloz que nos envolve dia-a-dia?”

Acredito que a resposta pode ser tirada de uma partida de xadrez. Mesmo sendo um enxadrista mirim, aprendi que há duas maneiras básicas de se encarar o mesmo jogo.

Você pode iniciar uma partida e em poucos instantes estará fazendo movimentos rápidos para proteger o seu rei de seu oponente. Em meio a esses movimentos você observará que as peças que lhe são mais importantes vão sendo uma a uma tomadas na batalha, seu exército reduzido e seu rei cada vez mais vulnerável até que tombe cabalmente com um sonoro Xeque-mate. A partida se tornou para você uma sucessão de movimentos impensados, apenas reflexos, sem estratégia alguma possível que lhe tirasse da difícil situação de somente se defender, sem muita esperança de poder atacar com sucesso e apesar de toda a movimentação aparente o que reina é a monotonia.

Mas há também a possibilidade de se entrar na mesma partida com uma visão diferente, ou seja, entendendo o campo da batalha, conhecendo cada uma das peças que pertence ao seu exército, sabendo dos movimentos possíveis para cada uma delas e colocando-as ao seu serviço para alcançar o alvo definitivo: fazer tombar o rei adversário. Os movimentos tornam-se em passos estratégicos onde avançar nem sempre é o melhor a fazer, onde o tempo para se planejar adquire outro significado, onde a defesa é pensada e não um reflexo involuntário e nesse caso, apesar da aparente lentidão dos movimentos o que reina é a dinâmica.

Por isso como xadrez! No tabuleiro das nossas vidas, o que está em jogo são as vidas de nossos amigos não cristãos. Tirá-los da influência do rei deste mundo é nossa tarefa. Não se trata de uma sugestão e sim , de uma ordem de nosso Rei que nos dará todo o apoio necessário para cumprirmos bem nossa tarefa com sucesso. Pode ser que um observador menos atento ache uma partida de xadrez monótona e sem sentido e pode ser que um cristão menos atento ache que não vale a pena entrar em uma partida onde as peças são aparentemente inconquistáveis pois pertencem a um reino poderoso, e nesse campo ele pense ter pouca influência, mas não deve ser assim.

Nosso desafio é aprender a encarar nossa vida, como campo onde a missão pode e deve ser exercida por agentes que se dispõe a ser canais da dinâmica do Espírito e desenvolver estratégias eficazes que transportem pessoas, nossos amigos, do reino das trevas para o reino da luz.

Disponibilize-se para Deus, permita que Ele te transforme no melhor agente que Ele tem em campo e execute com garra e alegria o próximo passo da missão.

Deus nos abençoe e nos de sabedoria !!!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Impressões

Osasco, 17 de maio de 2007.


Impressões


Como disse o dono do serviço, o patrão, “quem põe a mão no arado...” tem serviço e profissão e não dá pra ficar olhando pra trás pensando que poderia ter posto a mão em algum lugar melhor. O fato é que não há melhor lugar para se estar segurando.
Não me refiro aqui somente aos chamados “ministros profissionais”, mas também, a todos aqueles que têm sido atraídos por Deus para colocar as mãos no arado de Seu filho e trabalhar no serviço mais divertido, perigoso, estimulante e ao mesmo tempo, algumas vezes frustrante, que é o de lançar a semente, regar e cuidar dela até que possa frutificar. Deixando as metáforas de lado quero dizer: pregar a Boa-notícia a respeito de Cristo, cuidar dos novos e ensiná-los até ao ponto deles próprios assumirem-se a si mesmos e a outros, continuando assim o trabalho.
Dessa maneira entendo aquela conversa de Jesus com Nicodemos, certa noite, quando falou alguma coisa sobre o vento e sua semelhança com o Espírito. “O Nica não entendeu nada”, na linguagem da meninada, “fico boiano” quando Jesus disse a ele “olha aqui rapaz (minha paráfrase) você pode sentir o pneuma, mas não pode dizer de onde o pneuma vem, bem como só pode ouvir a voz do pneuma e sentir o toque do pneuma, assim não pode aprisioná-lo para si como se fosse sua propriedade, porque o pneuma vai pra onde quer, e concluiu, assim é todo aquele que nasce do pneuma de Deus. Troque-se a palavra pneuma por vento.
Deixando a exegese profunda de lado, que o Sheddão (Dr.Shedd) não leia isso, Jesus explicava a Nicodemos a aventura que é estar no meio dessa “ventania santa” e ao mesmo tempo o convidava para que pudesse desfrutar de tal experiência. Se ele aceitou o convite não há provas conclusivas a respeito, mas não é o caso.
O caso é: Não podemos criar ou colocar o Espírito nas pessoas, pois não sabemos como Ele quer fazer, porém podemos criar talvez algumas condições que sejam, volto a dizer talvez sejam, favoráveis à Sua atuação. Contudo, precisamos de algo que só o Espírito pode criar em nós, ou seja, a disposição de vivermos a maior das aventuras; conduzir pessoas perdidas de Deus e Seu filho para um encontro pessoal com ambos e isso envolverá muitas vezes, perigos, estresses, chateações, medos e coisas assim, mas também a alegria de poder ver uma nova criatura sendo gerada e parida, já não mais só criatura, agora sim um filho de Deus de verdade e isso é simplesmente maravilhoso.
Tenho tentado balizar minha atuação como discípulo de Cristo neste mundo tenebroso desta maneira.
Onde estou hoje plantado, colocado, escondido, use a palavra que quiser, em meio a universitários, segundo alguns, a nata brasileira da universidade brasileira a USP, tenho sido um deles, tenho estado com eles e tenho tentado aprender com eles sobre seus sonhos, projetos, anseios, temores, frustrações. E ao contrário do que se pensa, esses jovens, jovens a menos tempo do que eu, possuem ideais muito elevados mas um completo desconhecimento das possibilidades e dos “tesouros escondidos em Cristo”.
Caímos então em uma questão muito antiga: “Como conhecerão se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?”.
Alguém pode dizer ou pensar; o problema é de muito fácil solução, deve-se tão somente enviar um missionário lá e pronto.
Então sou obrigado a dizer que a solução não é tão simples o quanto parece!
Tenho observado que aqueles que tenho acompanhado são “gente boa”, mas são também ensimesmados, se é que posso usar desse neologismo, não aceitam que qualquer um lhes dirija a palavra, pois se acham superiores, não aceitam ouvir sobre uma verdade que há muito não faz parte dos círculos acadêmicos, a não ser para servir de exemplo negativo de como não se deve fazer as coisas, porque na cabeça deles, cristianismo já é uma ideologia ultrapassada pela ciência e agora o homem é a medida de todas as coisas, ou talvez na melhor das hipóteses, uma religião ocidental.
O que fazer então para alcançar esse povo?
Tenho algumas sugestões:
· Fazer parte do conjunto com eles, ser aluno como eles. Isso propicia o argumento de que os “crentes” não são tão alienados assim.
· Construir amizades sólidas e verdadeiras com eles baseadas na confiança mútua. Eles precisam sentir que são importantes para nós como pessoas e não como possíveis adeptos de nossa “seita”.
· Evitar o julgamento verbal imediato das suas ações, isso é muito difícil, porque nós crentes, fomos criados em um ambiente de constante policiamento e repressão baseados nos valores e tradições que herdamos para o nosso modo de praticar a fé, deixar que as palavras de Jesus sejam o juiz é o mais importante.
· Estar disposto a ouví-los produz maior resultado do que o afã de querer sempre falar. Esse pessoal tem uma perspicácia tremenda e a todo tempo julga nossas ações mais do nossas palavras.

Por fim quero terminar relatando uma experiência vivida comigo e uma colega cuja qual chamarei de Vitória, esse nome adjetivo calha bem com história de vida dela, uma história que pode e deverá ser completamente vitoriosa, essa é minha oração, quando o Espírito lhe sacudir com a ventania esclarecedora sobre quem é Jesus.
Bem, vamos à história!
Estávamos em uma reunião de trabalho num sábado qualquer, quando surgiu a necessidade de se preparar o almoço. Embora estivéssemos em um bom número de pessoas talvez dezessete, ninguém se prontificou a prepará-lo, todos queriam participar da reunião que, diga-se de passagem estava muito interessante e produtiva, dentre as várias alternativas propostas, a de se fazer uma vaquinha para comprar o “rango” foi a melhor aceita e então decidimos que o almoço seria um churrasco regado ao máximo de cervejas que o bolão pudesse comprar, sobrou até dinheiro para comprar um pequena garrafa de vinho.
Quando compramos todos os apetrechos para a tal empreitada, surgiu outra dificuldade, isto é, quem iria preparar a carne? Como ninguém, mais uma vez se ofereceu, percebi uma ótima chance de serví-los, não somente com alimento mas sim como se estivesse a lhes lavar os pés e dessa maneira fui para a cozinha.
O cheiro da carne sendo assada começou, acho eu, fazer algum efeito sobre aqueles jovens que haviam se esquecido de mim, parece nome de filme, ao ponto de um deles, a Vitória, foi incumbida pelo grupo de vir saber se eu precisava de alguma coisa.
- Libério?! Tá precisando de ajuda?
- Não, disse eu,. está tudo sobre controle, qualquer coisa eu chamo os bombeiros.
- O cheiro da carne tá bom e a galera tá ficando ouriçada.
- Quando estiver pronto eu chamo o pessoal, respondi, valeu?
- Valeu! Posso te fazer uma pergunta sem querer ofender? Ela disse.
- Claro! Respondi.
- Você é mesmo um pastor com o pessoal falou?
- Porque você não acredita? Retruquei.
- Não, não é isso!-disse ela- É que a maioria dos pastores que eu conheço não estaria disposto a gastar o tempo com a gente, você sabe, a galera, a gente fala palavrão, um monte de bobagens, o pessoal fuma a doidado, às vezes até maconha e você fica tranqüilo sem recriminar, eu acho até que a turma exagera um pouco só pra te provocar e você fica na sua.
- Então eu disse: É que você não conhece tantos pastores assim e além do mais o importante é que a pessoa que me lidera me ensina a aceitar vocês como vocês são, pois é Ele que tem poder e autoridade para fazer esses julgamentos não eu.
- Você vai falar de Jesus? - Ela me interrompeu.
- É isso mesmo é Ele quem me ensina a conviver com vocês. Respondi.
Então ela me relatou algo interessante:
- É uma coisa esquisita, tenho um colega lá na Geo, Faculdade de Geografia, que diz que aceitou Jesus, não sei bem se é essa a maneira de falar, mas pude observar a atitude dele antes e depois dessa experiência religiosa e o interessante é que agora ele é bem mais alegre e ao mesmo tempo sóbrio, parece que tem mais segurança, o pessoal disse que ele deixou o mundo e está muito feliz assim.
- E daí? Eu perguntei. O que isso tem haver comigo, se sou ou não pastor?
- Esse é que é o problema – disse ela – não sei se estou preparada para deixar o mundo.
Nesse momento a turma a chamou de volta para a reunião.
- Podemos falar sobre isso mais tarde se você quiser, mas por hora só quero te dizer algo antes que você vá pra lá – disse eu – deixar o mundo não é comprar um atestado de óbito, pelo contrário é assinar um contrato com a vida. Você observou bem, estou aqui com vocês mas não preciso agir como vocês agem, não preciso dizer palavrão pra me expressar, nem tampouco encher a cara pra ficar alegre, Jesus me completa. Creio seja isso que seu colega descobriu.
Não tocamos mais nesse assunto de maneira tão explícita, mas de uma coisa eu sei depois daquela conversa tenho servido de conselheiro, irmão mais velho, para eles. Eles têm me dito: “ o Libério é a consciência do nosso grupo”.
Não tenho aspirações para ser guru de ninguém e nem quero, mas quero poder gastar um pouco mais de tempo com esses jovens que são sem dúvida a futura liderança intelectual do Brasil.
Que o senhor Jesus me ajude a permanecer fiel à sua palavra.



José Libério Lino dos Santos